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Era uma vez um país à beira do mar plantado onde vivia um povo trabalhador, bondoso e inteligente. Havia uns que eram detentores de uma grande riqueza, mas a maioria das pessoas eram pobres e com famílias numerosas.

Este povo foi sempre muito corajoso. Quis viver um destino independente do país vizinho.

Nele nasceram homens visionários que o levaram a empreender feitos gloriosos que ficaram na história por terem dado novos mundos ao mundo.

Outras vicissitudes atravessou ainda este povo: depois de um período de glória, conheceu momentos menos felizes, tais como, um período de perda de soberania, uma invasão de tropas estrangeiras, uma guerra civil e sucessivas mudanças de regime e de orientações políticas.

O povo dotado de grande coragem e imaginação tentou sempre resolver os problemas ele próprio como um adulto, e por várias vezes ao longo da sua história optou por emigrar para outras paragens, como o Brasil, Argentina, Estados Unidos da América, África do Sul, Venezuela… Muitos disseram para sempre adeus à pátria que os viu nascer.

Em meados do século passado, após uma acentuada pobreza e uma incompreensível guerra colonial, o povo partiu em debandada por essa Europa fora para preencher a falta de mão-de-obra que tinha sido dizimada na segunda Guerra mundial e fixou-se em terras de França, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e também em outros países de além-mar.

O povo, após um longo período de obscurantismo político, acordou numa manhã de Abril para saborear a vida em democracia, na esperança de se tornar mais próspero e com uma mais igualitária distribuição da riqueza produzida no nosso país. Mas era ignorar o apetite insaciável da natureza humana que não se cansa de acumular indevida e ilegalmente bens que poderiam pertencer a todos, muitas vezes com a conivência política.

Ultimamente, até a juventude que estaria normalmente destinada a dirigir um dia este povo tem emigrado para outras terras, e já não se identifica com o tradicional conceito de emigração. São filhos da classe alta e média. Tiveram outro percurso. No entanto, foram também forçados a emigrar pelas mesmas razões que em épocas anteriores.

Não há qualquer dúvida de que a emigração favoreceu também o desenvolvimento do nosso país, pois muitos, de pobres que eram antes de emigrar, tornaram-se remediados e alguns, a quem a roda da fortuna sorriu, afirmaram-se bons empreendedores, quer nos países da emigração quer em Portugal.

Para muitos, a emigração foi um verdadeiro Conto de Natal: fugiram da miséria, puderam dar uma boa educação aos filhos, construíram a casa de que nunca teriam imaginado.

É verdade que, ao emigrar, nos privámos do sol, do nosso mar, da família, e que as saudades do torrão natalício nos leva a olhar todos os anos, nesta quadra festiva, para o Presépio ou para a Árvore de Natal com os olhos de quem muito sofreu para aqui chegar, identificando-nos com um ou outro dos personagens que ali colocamos para nos sentirmos menos sós nestes momentos que tanto nos enternecem e nos comunicam o nostálgico encanto de voltarmos a ser crianças.

 

 

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