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Portugal viajou até Bruxelas para apresentar o melhor do país

Aris SetyaAris SetyaAris Setya Aris Setya Aris Setya

Quando saí da estação de metro Merode, senti imediatamente o cheiro a casa. As publicidades à cerveja Super Bock, o cheiro a comida tradicional portuguesa e a música de fundo não deixavam enganar ninguém. O Melhor de Portugal estava ali mesmo, em destaque no Parque do Cinquentenário. Faltava apenas o sol radiante com temperaturas acima dos 20° graus, mas em relação ao bom tempo nada feito. A meteorologia não estava entregue à organização e, aparentemente, a Bélgica decidiu dar também algo típico do seu país numa festa dominada pelas tradições portuguesas. Restava comprar, dançar e comer para aquecer a alma e a carteira. E foi isso mesmo que portugueses e belgas fizeram durante dois dias, em grande número, para espanto de todos. Até do São Pedro.

 

O evento organizado pela Confederação dos Agricultores (CAP) já soma sete edições em Bruxelas e mantém fiel o conceito de promoção de Portugal e da sua cultura às portas da União Europeia. Assim que entrei no recinto, avistei caras conhecidas da Comunidade Portuguesa radicada na cidade, mas também caras novas, de diferentes países, que estavam a conhecer melhor ‘O Melhor de Portugal’. Naquela tarde de domingo conheci pela primeira vez o italiano Mattia Pellegrini graças a uma amiga que temos em comum. Estava sentado numa mesa com as duas filhas e tinha acabado de provar os produtos portugueses da loja “My Portuguese Friends”.

 

Na bagagem já tinha mel, queijo e vinho, mas ainda se preparava para fazer mais compras. Perguntamos-lhe se queria falar em francês ou inglês, mas surpreendeu-nos imediatamente com meia dúzia de frases em português correto. “Eu estou a ter aulas para aprender a língua”, replica. Caso para dizer que se em Roma, sê romano, na festa “O Melhor de Portugal” sê então português. “Eu gosto muito desta festa e aprecio muito a gastronomia, a cultura do país e as pessoas porque são muito simpáticas”, diz-nos.

 

Mattia trabalha numa agência europeia em Bruxelas e no seu trabalho já tem acompanhado vários projetos ligados a Portugal. “Eu comecei a interessar-me pelo país porque a cultura é idêntica à italiana, trata-se da cultura do sul da Europa e também já visitei o país muitas vezes”, acrescenta. Descemos até aos stands dos produtores na sua companhia e visitámos o stand da empresa 100% transmontano. Mattia já tinha provado uma alheira da região e parecia conhecer aquele recinto como a palma da sua mão. “No próximo ano eu vou estar novamente aqui, mas o meu português será muito melhor”, afirma sorrindo.

 

A empresa 100% transmontano já está presente no evento há quatro anos consecutivos e reconhece cada vez mais a fidelidade do público internacional. “Fazemos um balanço positivo da nossa presença nestes quatro anos”, diz-nos Fernando Teixeira. “Nós temos aumentado as vendas de ano para ano e, apesar do frio, temos muitos belgas a provar os nossos produtos”, acrescenta. Fernando criou a empresa de produção de queijo de cabra e ovelha com a esposa há 9 anos e já vendem para países como a França e a Suíça. Começaram a participar neste certame graças a um convite lançado pela Câmara Municipal de Vila Flor e regressam sempre de Bruxelas satisfeitos com os resultados.

 

De acordo com o Secretário-Geral da CAP, Luís Mira, também presente no evento, os pequenos produtores não têm muitas vezes capacidade para suportar os custos associados a uma presença numa feira internacional, por isso, a Confederação dos Agricultores portugueses (CAP) procura estabelecer uma sinergia com as Câmaras Municipais para facilitar a sua deslocação até ao certame. “Como às vezes os agricultores e produtores têm dificuldades, nós tentámos que as próprias câmaras façam representações e convidem os seus agricultores a viajar até cá. É uma forma de proporcionar o acesso aos produtores mais pequenos. De outra forma não seria possível”, explica.

 

Com as eleições para o Parlamento Europeu à porta e a discussão do próximo quadro de financiamento comunitário, a CAP assume, na primeira linha, a defesa dos interesses portugueses no orçamento da Política Agrícola Comum (PAC). E é precisamente por isso que faz questão de organizar eventos como este às portas da União Europeia. “Isto é uma forma de promover os produtos portugueses e os agricultores de média e pequena dimensão, abrindo uma oportunidade de negócio e um contacto com importadores e o público em geral. Por outro lado, também serve para chamar à atenção para a importância da agricultura portuguesa e para que na nova negociação da PAC, os cortes não caiam em cima dos mais pequenos”, reforça Luís Mira.

“Hoje Bruxelas é Portugal aqui”

O ‘Melhor de Portugal’ surgiu e foi lançado com o apoio de Nuno Melo, mas em ano de eleições o eurodeputado do CDS-PP não conseguiu estar associado à organização do evento. Em plena campanha para as eleições europeias, Nuno Melo visitou apenas os stands na tarde de domingo, acompanhado pela Presidente do Partido.

 

Assunção Cristas não poupou elogios e afirmou em Bruxelas que “eventos como ‘O Melhor de Portugal’ provam que as boas ideias nascem de bons eurodeputados”. A Presidente manifestou-se também optimista em relação aos resultados das próximas eleições, afirmando que “Nuno Melo não vai estar sozinho no próximo mandato, vai ter com ele companhia e certamente que isso ajudará cada vez mais a reforçar a voz de Portugal na Europa”, sublinhou.

 

Nuno Melo visitou e conversou com todos os produtores presentes como já é habitual. Júlio Alves, por exemplo, surpreendeu o eurodeputado ao apresentar o extenso currículo da marca Quinta dos Olmais. Só nos últimos três anos, a marca de azeite transmontano e biológico já acumulou 36 medalhas a nível internacional e recentemente lançaram-se no imenso mercado chinês. “Nós vendemos para o Canadá, para o Brasil, para a Tailândia e na Europa para a Suíça. Graças à participação no Melhor de Portugal, também arranjámos um fornecedor interessado na Bélgica e neste momento trabalhamos com a Nova Primavera, que é uma loja portuguesa onde podem encontrar os produtos da nossa marca”, explicou Júlio Alves em entrevista ao Lusojornal.

 

Foi precisamente com o objetivo de estabelecer esta ponte e sinergia entre os produtores portugueses e as empresas sediadas na Bélgica que o eurodeputado Nuno Melo quis fazer parte do projeto e, sete anos depois, garante que entra no recinto com um sentimento de orgulho e de dever cumprido “É esta simbiose entre quem vive cá e quem vem de Portugal que me dá uma medalha extraordinária. Isto ajuda a demonstrar que um deputado pode ser muito mais do que intervenções em plenários, requerimentos à Comissão ou resoluções que se defendem politicamente. O trabalho de um eurodeputado pode ser trazer Portugal à Europa. O nosso slogal é “Portugal, a Europa é aqui” e realmente eu diria que hoje Bruxelas é Portugal aqui”, concluiu.

 

Entre sábado e domingo o Parque do Cinquentenário foi efetivamente português. Apresentava o melhor da gastronomia do país, mas também o melhor da música e da cultura de Portugal. José Cid e Olavo Bilac foram os cabeças de cartaz e nem a chuva afastou o público do espetáculo. No final de domingo à tarde, o sol também apareceu em Bruxelas e a festa terminou com um cenário absolutamente fantástico. A bandeira da Bélgica erguida no arco do Cinquentenário tinha o pôr do sol na sua frente e pairava na paisagem repleta de cores e sabores de Portugal. A celebração de uma Comunidade perfeitamente integrada atingiu assim o seu expoente máximo.

 

 

 

 

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