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Uma delegação de militantes do PSD na Bélgica participou este fim de semana no 37º Congresso Nacional do PSD, em Lisboa, que formalizou a eleição de Rui Rio para Presidente do partido.

A Secção do PSD em Bruxelas elegeu Víctor Alves Gomes para Delegado ao Congresso. Mas vários militantes da secção estiveram no Congresso com o estatuto de “Observadores”, como foi o caso de Sandro Benidio, Jorge Afonso e Ana Garrido.

O Congresso terminou este domingo com Rui Rio, e o seu adversário, Santana Lopes (que venceu nas Secções das Comunidades) a ensaiarem uma estratégia de unidade, “ensombrada” pelo discurso de Luís Montenegro, potencial candidato no futuro.

Um mês depois das eleições diretas, que ganhou com 54% dos votos, Rui Rio chegou ao Centro de Congressos de Lisboa com um pré-acordo com Santana Lopes e deixou para sábado a surpresa e a polémica: a escolha para uma das vice-Presidências de Elina Fraga, a ex-Bastonária dos Advogados que atacou o Governo PSD de Passos Coelho com um processo devido ao mapa judiciário, em 2014.

Uma escolha incómoda para quem pertenceu às Direções e ao Governo de Pedro Passos Coelho, e que levou muitos Delegados a vaiar Elina Fraga no momento em que foi chamada ao palco na sessão de encerramento.

À direção do PSD regressam agora vários ex-Ministros, como David Justino, que teve a pasta da Educação com Durão Barroso e foi consultor de Cavaco Silva, na Presidência da República, e Nuno Morais Sarmento, ex-número dois de Durão Barroso no PSD e no Governo.

Outra das surpresas foi a escolha de Isabel Meireles, advogada, especialista em Assuntos Europeus e ex-candidata do PSD à câmara de Oeiras.

No último Congresso do PSD, Carlos Gonçalves, o atual Deputado eleito pelo círculo eleitoral da Europa, também tinha subido ao palco, escolhido para Coordenador para a área das Comunidades na Direção do Partido, mas desta vez, tal não aconteceu. Esta função não é estatutária, e não se conhece, por enquanto, a decisão de Rui Rui. Nem se sabe se vai manter esta função, nem, em caso afirmativo, quem vai convidar para ocupar o cargo.

No Conselho Nacional, Rui Rio ficou sem maioria (teve 34 em 70 eleitos), face às sete listas apresentadas, incluindo por distritais descontentes com a falta de representatividade regional na lista de unidade, de Rui Rio e Santana Lopes.

Rui Rio viu ainda a sua Direção ser aprovada por 64,7% dos votos, o pior resultado desde 2007, com a Comissão Política Nacional de Luís Filipe Menezes.

As Secções das Comunidades elegem, entre elas, quatro membros para o Conselho Nacional: Carlos Gonçalves (França), Custódio Portásio (Luxemburgo) pelo círculo eleitoral da Europa, sendo os suplentes Artur Amorim (Alemanha) e Ana Garrido (Bélgica). Pelo círculo eleitoral do resto do mundo foram escolhidos o atual Deputado Carlos Páscoa (Brasil) e a ex-Deputada Maria João Ávila (Estados Unidos).

Sem maioria fica também no Conselho de Jurisdição Nacional, agora presidido por Nunes Liberato, ex-Secretário-geral do PSD e Chefe da Casa Civil da Presidência, com Cavaco Silva.

De Santana Lopes, Rui Rio ouviu palavras de apoio no esforço pela “unidade e convergência” que, disse, nem sempre os seus apoiantes deram ao anterior presidente, Pedro Passos Coelho.

A fugir ao consenso, Luís Montenegro, o ex-líder parlamentar que ponderou candidatar-se nas diretas, prometeu não ser oposição a Rui Rio, mas fez-lhe críticas, pelas hesitações do ex-autarca do Porto em concorrer, às legislativas ou às presidenciais.

Dos discursos que Rui Rio fez ao Congresso, um a abrir e outro a fechar, há a reter uma clarificação quanto ao “não” a um Bloco Central e um desafio ao Governo para uma reforma na Segurança Social.

Na sua intervenção final, defendeu debates alargados no país sobre descentralização e a reforma do sistema da Segurança Social, embora sem apontar propostas concretas.

Considerando que a atual solução governativa, apoiada à Esquerda, condiciona o Governo e torna-o incapaz de gerar mais crescimento económico e de ter “o futuro como prioridade nacional”, Rui Rio apontou o fortalecimento da classe média como “o principal foco de ação” de um Partido social-democrata, a par do combate à pobreza.

Pedro Passos Coelho, que se apresenta agora como “um soldado” do “exército” social-democrata, abandonou a liderança oito anos depois de chegar à sede da São Caetano à Lapa, aplaudido e saudado por Rui Rio e muitos Delegados.

 

Com Lusa

 

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