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“I Love Portugal” levou comerciantes de Ixelles à Place Flagey

A Place Flagey, em Bruxelas, acolheu no sábado passado a segunda edição do “I Love Portugal”, uma festa portuguesa de bairro, com stands portugueses de comerciantes locais, mesmo em frente da Igreja de Sainte Croix, também bastante conhecida dos Portugueses.

O evento foi organizado, pela segunda vez por António Burcardini e contou com a presença do Embaixador de Portugal no Reino da Bélgica e com o Bourgmestre de Ixelles.

“Este é um evento importante porque esta comuna, Ixelles, é uma das que tem maior Comunidade portuguesa historicamente, até temos aqui uma praça com o nosso Fernando Pessoa, mas é sobretudo uma ocasião para que, num sítio público e muito frequentado se faça a promoção dos nossos bons produtos, não só de gastronomia mas como até de cultura, porque também temos aqui livros portugueses,…” diz ao LusoJornal o Embaixador António Vasco Alves Machado. “Isto é muito bom, não só para os nossos concidadãos que gostam de ver de forma bem representada e promovida os seus produtos, mas também para os Belgas que, como sabe, são muito apreciadores de tudo quanto vem de Portugal”.

O Embaixador Alves Machado acompanhou o Bourgmestre de Ixelles numa ronda pelos stands portugueses.

O “I Love Portugal” nasceu em 2017, num ano em que havia eleições comunais na Bélgica. “Pela primeira vez tentou-se mobilizar os expatriados de Bruxelas a se inscreverem nas diferentes Comunas e votarem. O Departamento Europa da Comuna de Ixelles, desafiou-me para organizar um evento aqui, na Place Sainte Croix, para que todos os comerciantes portugueses possam estar presentes, os comerciantes que fossem para além da gastronomia e dos vinhos, mas também livrarias, desporto, aqui representado pela Casa do Benfica, na altura a Federação portuguesa de futebol na Bélgica, que fosse um evento eclético e, por via desse evento, pudessem criar uma ponte entre a Comuna de Ixelles e a Comunidade portuguesa” explica António Buscardini, o organizador.

Essa “ponte” queria incitar as pessoas a inscreverem-se, a votarem, a participarem e a pedirem mais à Comuna. António Buscardini considera que “foi uma vitória” o facto do Bourgmestre ter pedido aos serviços para traduzir vários documentos em Português.

Ixelles é uma Comuna em que 67% da população é estrangeira e desses, 14% é portuguesa. “É enorme a população portuguesa que aqui vive” diz António Buscardini.

“A especificidade de Ixelles é de ter mulheres e homens que vêm de todo o mundo. Temos todos os continentes representados. Temos algumas Comunidades que estão mais representadas historicamente e é verdade que a Comunidade portuguesa faz parte dessas Comunidades” diz ao LusoJornal o Bourgmestre Christos Doulkeridis.

O Bourgmestre explicou que “neste bairro, em particular na rue de la brasserie, na avenue de la couronne, temos alguns comércios portugueses excecionais, com uma Comunidade muito presente” e lembra que “o nosso orgulho é precisamente ter esta grande diversidade, com pessoas que não se fecham sobre si próprias, pelo contrário, abrem-se aos outros e isso é uma grande riqueza”.

Na praça estava o Café Portugal, a Pastelaria Garcia, os Vinhos do The Sol Ar e da Vidão, com vinhos do Dão, as livrarias Livrebooks e La Petite Portugaise, a Casa do Benfica de Bruxelas, a Embaixada de Portugal, a Confederação dos Agricultores de Portugal, a Caixa Geral de Depósitos, entre outros stands. “É muito importante estarmos aqui presentes porque divulgar Portugal e os nossos produtos é sempre importante” afirma Patricia Marques do The Sol Ar. “É importante também por ser uma iniciativa que tem apenas dois anos e todas as novas iniciativas precisam da ajuda e da presença dos comerciantes, das associações, das instituições, de todos nós que representamos, no fundo, Portugal na Bélgica”.

Este ano não havia tanta gente como na primeira edição. Mas continuava a haver uma mistura entre público Português e público belga, ou de outras origens. “Os Belgas apreciam tudo o que é português. Claramente gostam muito dos Portugueses e apreciam a beleza do país, a forma como são acolhidos, a nossa paisagem, o nosso clima, mas sobretudo, eu diria, eles gostam muito dos Portugueses”.

Os stands também se adaptaram ao tempo fresco da tarde de sábado. “Este ano temos mais vinho do Porto do que vinho Verde, contrariamente ao ano passado. Porque no ano passado tivemos quase 30 graus durante o dia e este ano está um pouco mais fresco e as pessoas precisam de reconforto, e os vinhos tintos e os vinhos do Porto reconfortam mais” explica Patricia Marques.

Quanto aos Pastéis de Nata, venderam-se mesmo com frio. A fila em frente da Pastelaria Garcia foi constante durante toda a tarde e várias vezes o stand teve de ser reaprovisionado. Pelo palco passou música portuguesa para animar os presentes.

O Bourgmestre Christos Doulkeridis apreciou os vinhos e ficou bastante tempo no evento. “Para nós é importante apoiar este tipo de projetos, para dizer aos Portugueses que, aqui estão em casa. Para nós, é importante termos esta Comunidade presente aqui em Ixelles. Em Ixelles podemo-nos sentir portugueses, malianos, gregos, belgas claro, franceses, ingleses, toda a gente é bem vinda e nós temos orgulho em mostrar esta diversidade e de lhes dizer, estão em casa”.

Christos Doulkeridis é, ele próprio, de origem grega. “Os meus dois pais são Gregos, o meu primeiro Echevin é do Mali, e temos claro Belgas, Franceses, de tudo. O Conselho Comunal representa, claro, esta diversidade”. Mas acrescenta também que “certas pessoas têm medo da diferença, mas nós temos orgulho. E quando toda a gente tem orgulho, é uma riqueza excecional”.

António Buscardini estava contente com o decorrer do dia. “Antes de mais porque as autoridades perceberam que este projeto não tem nada a ver com a política local. No ano passado trabalhámos com o MR, este ano estamos a trabalhar com os Verdes. Isto é bom sinal, quer dizer que o projeto está aqui para ficar e vai para além da política” disse ao LusoJornal.

O próximo evento vai ser “O Melhor de Portugal”, nos dias 4 e 5 de maio, no Parc Cinquentenaire, organizado pela CAP e no qual António Buscardini também está implicado.

 

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