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No passado dia 9 de junho o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas festejou-se na Bélgica com uma iniciativa organizada pela Federação das Associações Portuguesas (FABP). Esta festa já faz parte do calendário da Comunidade Portuguesa residente em Bruxelas desde 1979 e este ano voltou a animar o maior parque da capital Belga. Depois de vários dias com mau tempo e do alerta amarelo que encerrou vários espaços verdes da cidade, o sol regressou a Bruxelas no domingo de manhã e o Bois de la Cambre reabriu para receber a festa de Portugal. Este ano o evento apostou essencialmente nos mais jovens, destacando-se a presença de várias instituições de ensino superior portuguesas.

 

O Parque Bois de La Cambre é considerado o pulmão da cidade. Para além do grande lago com uma ilha no meio, tem também a conhecida Forêt de Soigne que, tal como o nome indica em francês, trata-se de uma floresta cuidada, que se manteve pura e verde nos arredores de Bruxelas. Talvez este cenário idílico seja até uma metáfora em relação à Comunidade Portuguesa. À semelhança desta floresta, os portugueses também cuidaram e preservaram a sua natureza, e apesar da distância, festejam todos os anos as suas raízes e o Dia de Portugal. No passado dia 9 de junho, a festa reuniu as diferentes Associações portuguesas existentes na Bélgica e o evento provou, mais uma vez, o dinamismo destes movimentos.

 

De acordo com Lídia Martins, membro da Direcção da FABP, este ano a festa foi particularmente “dedicada aos mais jovens e ao futuro”. A organização convidou diferentes escolas de ensino superior português para apresentarem a sua oferta de ensino em Bruxelas e promoverem assim a qualidade da formação dada em Portugal. “Nós já ouvimos, ainda durante a última vaga migratória, que os melhores enfermeiros da Europa são portugueses, os melhores engenheiros de computação são portugueses e, por isso, para além de sermos bons trabalhadores, somos trabalhadores muito qualificados. Devemos continuar a apostar nessa senda da qualificação dos nossos jovens porque o futuro é isso mesmo”,  explicou em entrevista ao Lusojornal.

 

A Escola de Enfermagem de Coimbra, o Instituto Politécnico de Castelo Branco e o Pavilhão do Conhecimento e Ciência Viva apresentaram em Bruxelas uma boa parte da sua oferta, divulgaram o sistema de ensino português no seio da Comunidade, mas também para alguns belgas que participavam na festa. Quando chegamos ao stand organizado pelo Pavilhão do Conhecimento, facilmente percebemos que os mais novos estavam encantados pelos microscópios, robôs e jogos de ciência. Pedro, de quatro anos, tinha acabado de recolher uma pequena folha que rodopiava no chão e preparava-se para observá-la no microscópio.

 

“Nós pedimos aos mais novos para irem buscar uma folha ou algum animal para verem por exemplo à lupa ou no microcóspio. Temos na banca da robótica uns robots chamados ozobot que leem cores, temos tablets com Scracth que é também uma coisa já bastante conhecida e temos máquinas de rabisco que fazem também parte de uma das salas do pavilhão”, afirma João Campos, aluno de engenharia de energias renováveis e monitor no Pavilhão do Conhecimento em Portugal. “A ideia era que estas actividades fossem para todas as idades, mas acabam sempre por ser os mais novos que puxam para experimentar, mas depois também temos pais muito interessados. Nós também queremos chamar um bocadinho o público mais jovem para a ciência. Nós temos sempre o programa Erasmus que permite essas mudanças e achamos que é uma mais valia para ambas as partes”, sublinhou.

 

A qualidade do ensino português está espalhada “pelo mundo fora”

No stand destinado à Escola Superior de Enfermagem de Coimbra ouviam-se pequenos desabafos de quem passava apenas para manifestar as saudades pela região centro de Portugal, perguntas mais específicas sobre a oferta de ensino da escola e ainda referências a enfermeiras portuguesas licenciadas naquele estabelecimento de ensino e que trabalham agora em Bruxelas. “A enfermeira Ana hoje está nas urgências, mas tenho a certeza que ela ia gostar de ver a sua escola representada nesta festa”, diz uma senhora que passa rapidamente pelo stand. Na mão já levava alguns panfletos, canetas e brindes distribuídos pelas docentes da Escola e comentava a qualidade das enfermeiras portuguesas residentes na cidade. A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra “é a melhor escola do país”, acumulando os melhores resultados nos rankings nacionais. De acordo com a professora Marina Montezuma, presente no evento, a mobilidade dos seus alunos, docentes e enfermeiros tem ajudado a promover esta qualidade de ensino além-fronteiras.

 

“Nós temos estudantes e temos um intercâmbio com as faculdades da área de enfermagem daqui de Bruxelas com o programa Erasmus e costumamos ter alunos aqui e docentes que vêm fazer a sua missão de ensino em Bruxelas”, afirmou em entrevista ao Lusojornal. “Nós temos uma rede muito alargada em termos de programas internacionais. Não só na Europa, mas também com o politécnico de Macau, com países como Brasil, portanto, estamos espalhados pelo mundo fora”, acrescentou.

 

Para além destas novidades, a festa também apresentou a habitual actuação de vários ranchos folclóricos, sessões de leitura e concertos de música portuguesa. O músico e veterano José Alberto Reis encerrou o espectáculo e a jovem guitarrista Mariana Martins animou a tarde juntamente com Melanie da Costa. Para o próximo ano a festa repete-se e o Parque Bois de La Cambre volta a ser português no Dia de Portugal.

 

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