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“É Porreiro este País” – Zézé Fernandes apresenta novo álbum

Zézé Fernandes soma e segue, na sua ambiciosa carreira artística de autor, crítico, compositor, cantor… Ele é tudo e mais alguma coisa!

Desinibido, nunca escondeu a sua ambição, criatividade, aptidão… Ele tem tudo para atingir, com habilidade, os objetivos a que se propõe, para o êxito juntaram-se, o talento e a dona perseverança, apesar das incertezas e das tramoias inerentes ao modelo artístico que abraçou há já perto de trinta anos! Zézé Fernandes é de facto o rosto combativo, que foi conseguindo a pulso, o seu próprio sucesso.

Prova disso são os sucessivos álbuns, desde o inicial dueto de cavaquinho/viola, até ao mais recente e que já se encontra à venda, intitulado: “É Porreiro este País”, apresentado recentemente na Casa das Artes, nos Arcos de Valdevez.

Com treze temas que afinam, por um real diapasão, sobre a atual situação social e política. Motes que considera pertinentes e por isso, sujeitos à crítica, à reflexão, ao envolvimento. Está claramente subjacente, mais que uma ideia, o propósito de interpelar e acudir! De facto, este trabalho vem de encontro a uma sociedade, algo pervertida, apressada, laxista… Em modo epigramático, bem à sua maneira, por entre alguma brincadeira, surge o lado sério e até dramático, que caracteriza e define. Cabe a cada um de nós fazer a sua própria interpretação, depois de ter adquirido o álbum.

Deste trabalho sobressai ainda, o bom humor, como forma elegante de atrair, de cativar, de influir e formar. Distinto e aprazível meio de transmitir a mensagem, por forma a que “as minhas letras entrem no mercado” ou seja, que haja uma sustentada adesão a este álbum e à sua componente artística, com um futuro promissor em termos de prestação de espetáculos no país, mas também junto das Comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, porque ele promete continuar a saltar, aliás como sempre o fez!

 

Relação artística com a diáspora

Este novo álbum, aqui em destaque, tem a sua base na experiência e consequente passado artístico e promoção de espetáculos, muitos deles no estrangeiro, onde nem sempre há muito dinheiro! Ressalta ainda a convicção, a estabilidade e a persuasão, na mensagem, mas também nos conteúdos e na ambição de chegar sempre mais longe.

O Zézé teve, desde a primeira hora, uma especial relação com os Portugueses a viver no estrangeiro, que começou bem cedo quando, em maio de 1991 integrava a comitiva de Marco Paulo e Alexandra Cruz, numa digressão repartida entre Londres e Bruxelas. Foram os primeiros palcos de atuação, importante marco, na etapa para uma vida dedicada à música tradicional portuguesa, dentro e fora do país.

Este, como outros trabalhos, retratam essa apropinquação, que inclui o seu carisma e potencial artístico, em resposta e contrapartida à necessidade de colmatar um certo vazio e ânsia daquilo que o artista produz, em relação ao público em geral; animação popular em qualquer lugar e circunstância. Levando pedaços da alma lusitana, não para matar saudades, mas antes para desacorrentar, romper com a rotina e fazer vibrar um público sempre entusiasta, recetivo, acolhedor. Prova disso são as dezenas de deslocações já realizadas e as que virão, já com a novidade de um país fantástico/engraçado, para não dizer porreiro!

Eis o verdadeiro embaixador, que promove e divulga. Junto de toda essa gente que vive e trabalha no estrangeiro, a quem tantos apelidam de “queridos emigrantes”, como se isso fosse um estatuto social! Na verdade, eles são acima de tudo Portugueses, compatriotas, conterrâneos, que a um dado momento da vida decidiram sair do país, quiçá por ser porreiro viver nele! Escolhas que não se discutem, opções que merecem o nosso respeito e até gratidão.

Tal como noutros álbuns, o Zézé volta a dedicar-lhes e muito bem, um tema, sinal evidente de empatia e consideração. É importante manter esta relação de proximidade e de intercâmbio, como forma de promover o artista e aquilo que representa. Contar uns com os outros é fundamental, numa simbiose que enaltece ambas as partes: o entusiasmo e a expetativa, o artista e o seu público. Sempre e em qualquer lugar do mundo!

 

Força solidária e de coadjuvação

Para conseguir ainda maior impacto, este novo álbum tem uma série de apoios, com significativos sinais de consonância e de implicação, tão expressivo é o teor e a importância da obra. Não me compete a mim mencionar as entidades, nem os nomes sonantes da música popular, que estiveram ao lado deste projeto, com significativa presença e interesse. Mas compete, aqui e agora, louvar o exemplo de cooperação, que me apraz registar à distância.

Também nestes meandros, se aplica bem o velho ditado: “a união faz a força”. É na junção de talentos, de experiências e de vontades que se assevera, se dá maior consistência e se confirmam os melhores resultados. Fica ainda o sentimento da solidariedade, que rima com amizade. Já só falta aquela grande adesão na corrida à aquisição do CD da última novidade discográfica deste amigo de infância, que merece a nossa estima e admiração; isto, apesar do seu lado estapafúrdio, o que faz dele esse ser fragateiro e castiço!

Na Casa das Artes, em Arcos de Valdevez acrescentou-se história às inúmeras realizações levadas a cabo naquele espaço cultural, com a recente apresentação deste álbum. Claro que foi pequeno para conter tanta gente; talvez por isso alguns não compareceram! De todos quero fazer referência a duas pessoas de incomensurável estima para o Zezé, mas também para os amigos. Que ternura, que fineza e que privilégio ter essa presença amiga dos seus progenitores, que não podendo estar no lançamento do álbum continuam a saborear os momentos mais felizes do filho mais novo, o querido Zézé. Família modelo, sempre os primeiros em tudo, sempre na linha da frente, sempre presentes; um registo fantástico, de todo feliz, que me apraz partilhar.

E para concluir, resta desejar ao talentoso amigo, algum juízo, sempre preciso e muita sorte, que como se sabe não vem sozinha. Mas ele tem feito por ela, ou não fossem os seis álbuns editados e muitas outras interpretações que só ele sabe executar/reproduzir!

Até breve amigo, num qualquer palco de produção musical, de festa e/ou arraial; por este país porreiro, ou algures no estrangeiro!

 

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