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A obra, concebida e realizada pelo historiador português Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista recentemente falecido em Paris, e prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, foi apresentada na livraria portuguesa em Bruxelas “La Petite Portugaise”. A apresentação foi conduzida pelo escritor natural de Fafe, pelo deputado eleito pelo círculo eleitoral da Europa, Paulo Pisco (PS) e pela representante da livraria luso-belga, Elisabete Soares.  

Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt. O fotógrafo francês imortalizou a emigração portuguesa ao capturar através da sua lente imagens únicas dos bidonvilles de Paris nos anos 60, mas também retratou a explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o historiador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos da Revolução dos Cravos e da celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

“Quando eu conheci estas fotografias fiquei fascinado. Já naquela altura o Gérald estava com uma situação de saúde bastante débil, mas convidei-o com o auxílio precioso da esposa para lançar esta obra e retratar um outro período fundamental da história de Portugal, designadamente este da Democracia. Eu percebi que tínhamos ali uma cápsula do tempo preservada”, explica Daniel Bastos em entrevista ao Lusojornal.

Oriundo de uma família de emigrantes, o escritor natural de Fafe manteve sempre um grande interesse pela história e questões das migrações. Em 2009 o historiador viajou até França com o Presidente da Câmara Municipal de Fafe para apresentar à Comunidade Portuguesa o projeto do Museu das Migrações e das Comunidades sediado no Concelho. Naquela altura, o fotógrafo Gérald esteve presente no evento e ofereceu ao Museu 100 fotografias únicas de França nos anos 60.

Desde então, nunca mais perderam contacto e a ligação entre o fotógrafo francês e o escritor já resultou na publicação de dois livros: O primeiro publicado há quatro anos e intitulado ‘Gérald Bloncourt: o olhar de compromisso com os filhos dos grandes descobridores’, procura fazer um retrato historiográfico da grande epopeia da emigração, designadamente a emigração a salto, a passagem pelos Pirenéus, a chegada a França, as condições de vida duras nos bidonvilles e o Portugal cinzento nos anos 60. Este último livro é mais uma homenagem a título póstumo ao fotógrafo. Daniel Bastos esperava apresentar esta obra ao lado de Gérald, mas o fotógrafo faleceu no ano passado. O escritor encontrou assim uma forma de “homenagear e honrar a sua memória”, agradecendo toda a ligação que ele teve a Portugal. “De facto ele foi um homem que honrou e amou os portugueses”, acrescentou.

“Os emigrantes são protagonistas anónimos da história de Portugal”

Durante a apresentação, o escritor também sublinhou a admiração que sente pelos emigrantes portugueses, afirmando que escreve e dedica parte do seu trabalho à diáspora por essa mesma razão. “Eu procuro nestes trabalhos assinalar este fenómeno da emigração porque não foi fácil. O fácil era ficar, o fácil se calhar era resignarem-se. Eu olho para o emigrante não como quem se resigna, mas como alguém que quer conquistar com o seu suor, com o seu trabalho e com o seu sacrifício o direito a uma vida melhor. Eu acho que todo o trabalho que faço não é demais, é apenas simples, mas que procura de facto homenagear estes protagonistas anónimos da história de Portugal”, afirmou.

Já o deputado eleito pelo círculo eleitoral da Europa, Paulo Pisco, também presente no evento, sublinhou que “é importante que a paixão que ele tinha pelos portugueses, seja agora retribuída pelos portugueses relativamente à obra que ele deixou”, referiu. “Ele tinha de tal maneira uma consideração por Portugal, pelos portugueses e pela sua história, que foi por isso que ele se lançou nesta aventura de ir mais longe para conhecer este povo. E quem nos admira assim com esta intensidade só pode merecer da nossa parte a mesma admiração e reconhecimento. Ele foi alguém que nos levou a um espólio que é um verdadeiro monumento à Humanidade”, concluiu Paulo Pisco.

Durante o mês de junho, o livro vai ser apresentado no dia 7 de junho (sexta-feira), na FNAC em Braga, às 21h00, e no dia 10 de junho (segunda-feira), Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, na FNAC-Santa Catarina no Porto, às 17h00. Ainda no dia 22 de junho (sábado), no âmbito das comemorações do Dia de Portugal no Canadá, será apresentado às 10h00 na Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto.

 

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