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Associação Portuguesa distribui sopa solidária aos sem-abrigo de Bruxelas

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Este sábado a Associação Portuguesa 10 de junho distribui alimentos e agasalhos aos sem-abrigo que estão nas principais estações de Bruxelas. A organização fundada por portugueses radicados em Machelen, nos arredores de Antuérpia, realizou esta iniciativa pela primeira vez em Dezembro, na véspera do Natal. A miséria que encontraram na noite de Bruxelas surpreendeu os elementos do grupo e por isso voltaram a repetir a ação solidária dois meses depois.

 

Era mais uma noite fria em Bruxelas e a poucas horas do Natal, várias pessoas circulavam apressadas dentro da Gare du Nord para apanharem o comboio ou metro que as iria levar até casa, até ao coração quente da família. Para os sem-abrigo da estação era mais uma noite como as outras. Estavam deitados em pequenos cartões e cobertos por pequenos agasalhos e cobertores. A primeira carrinha da Associação Portuguesa 10 de junho estacionou perto de uma entrada da Gare quando já passavam das oito da noite. A mala estava carregada com sacos de pão, sopa, água, sumos, bolos e algumas refeições prontas. Assim que os sem-abrigo avistaram a viatura através de uma janela, começaram a correr a grande velocidade na sua direção. Alguns estavam descalços, outros traziam pequenos sacos e, a pedido dos voluntários, formaram uma fila para receber aquela que seria talvez a sua ceia de Natal. De acordo com Ana Stebia, um dos membros da Administração da Associação, “só na Gare du Nord eram mais de cem pessoas que estavam a dormir no chão” e graças àquela noite solidária, a portuguesa radicada há vários anos na Bélgica, “passou a ter uma real perceção da miséria e necessidade que existe no país”.

 

“Depois daquela primeira iniciativa que organizamos em dezembro, percebi que há muita miséria, há muita falta de caridade, muitas pessoas sem um aconchego e, durante estes tempos de chuva essas situações são particularmente difíceis. A Gare du Nord foi a última paragem que nós fizemos e ficamos impressionados”, disse-nos em entrevista ao Lusojornal. Naquela noite conheceram muitas histórias de refugiados e clandestinos que, tal como os portugueses da Associação, também viajaram até à Bélgica à procura de uma vida melhor. Sem papéis e a dormir na rua, sentiram sempre dificuldades em encontrar trabalho e hoje sentem-se presos a uma situação que parece não ter porta de saída. “Eles não conseguem sair da rua porque não conseguem ter trabalho e, como não têm trabalho, não conseguem ter casa”, conta-nos. Durante a primeira distribuição, dois sem-abrigo pediram mesmo aos voluntários as suas próprias meias. Já estavam há muito tempo descalços e acumulavam diversas lesões nos pés. “Eles receberam uma coisa tão simples e que nós nem valorizamos. Recordo-me até que o primeiro senhor que pediu as meias era espanhol e arranhava um bocadinho português”, acrescenta Ana Stebia.

 

Uma associação formada por voluntários que gostam de dar o corpo ao manifesto

De acordo com Ana Stebia, a Associação Portuguesa 10 de Junho foi fundada em 2017 por um grupo de 20 portugueses radicados na Bélgica. Começaram por organizar um pequeno evento dedicado ao São Martinho, rodeados pelas boas tradições portuguesas, mas a adesão aumentou e neste momento já realizam atividades e encontros numa das maiores salas da cidade. “Nós tentamos fazer eventos e angariar patrocínios para depois desenvolver algumas causas solidárias e fazer alguma coisa pela Comunidade Portuguesa emigrada na Bélgica, mas não só”, explica Ana Stebia. A Sopa Solidária foi o primeiro evento que organizaram fora da Comunidade Portuguesa, mas pretendem desenvolver outras causas idênticas.

 

O trabalho solidário da Associação ficou mais conhecido graças à história de Daniel Raimundo, um português radicado na Bélgica que sofria de um problema oncológico “galopante”, mas tinha dois sonhos por cumprir: viajar para Portugal e pisar o relvado do estádio José Alvalade. De acordo com Ana Stebia, assim que a Associação teve conhecimento da sua história, procurou reunir esforços, nomeadamente junto das outras Associações portuguesas da Bélgica e organizaram pela primeira vez um evento em conjunto para angariar fundos que contribuíram para o seu regresso a Portugal.

 

Esta noite a associação organiza a segunda iniciativa “Sopa Solidária” e distribui alimentos e agasalhos aos sem-abrigo de Bruxelas. Quando falamos com Ana Stebia ao telefone, a Associação já tinha duas carrinhas apetrechadas com roupas, café, chá, cerca de 250 lanches individuais, bolachas, fruta, sopa e sobretudo carinho para quem vive entre a ilusão do passado e a incerteza do amanhã.

 

 

 

 

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