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No fim de semana passado, a equipa de futebol feminina do White Star, venceu por 3-0 ao K. Massenhoven VC. Neste momento em que se fecha a edição do LusoJornal, o FC Fémina White Star Woluwé está no terceiro lugar da tabela classificativa, com menos um jogo do que as duas primeiras equipas e a apenas dois pontos do segundo classificado.

Mas no fim de semana passado, a equipa do FC Fémina White Star Woluwé não contou com a presença de Soraia Matos Martins. A Portuguesa que joga na primeira divisão nacional belga lesionou-se no passado dia 18 e já não vai acabar a temporada, esperando no entanto poder jogar os torneios de verão. “Tive uma lesão no joelho, um problema nos ligamentos, e agora estou a recuperar ainda mais seis semanas e por isso não jogo. A temporada acabou para mim”. Viu o jogo junto ao banco das suplentes, sempre apoiando e encorajando as colegas.

Soraia Cristiana Matos Martins nasceu no dia 27 de novembro de 1994 em Santo Tirso, mas veio para a Bélgica com apenas dois anos de idade.

Começou a jogar com os irmãos, “a jogar na rua, com outros rapazes, e apartir daí, comecei a jogar num clube, e nunca mais larguei o futebol. Vivo e durmo com o futebol” diz ao LusoJornal. “Comecei a jogar futebol quando era ainda criança, aos 5 anos de idade os meus pais inscreveram-me no Anderlecht, com os rapazes claro, e depois ingressei no White Star aos 16 anos nos cadetes e subimos para a primeira divisão ‘Provincial’. No fim da época, o Treinador veio falar comigo e propôs-me de fazer alguns treinos com a equipa da primeira divisão, para me ir habituando. Aos 17 anos subi para a I Divisão onde ainda estou atualmente”.

Se tudo continuar bem, a equipa ainda pode subir para o segundo lugar e, nesse caso, vai poder subir para a Super Liga que integra as melhores equipas da Bélgica e da Holanda. “Tudo vai depender dos próximos resultados”.

Mas o verdadeiro sonho de Soraia Matos Martins seria “jogar para a minha Nação, com as cores de Portugal, cantar o hino, jogar o mais alto possível” confessa. Mas os “olheiros” da Seleção não têm passado pela Bélgica e não conhecem a jogadora. “Seria um grande sonho” suspira. Como 22 anos começa a ser tempo que alguém a convite, pelo menos para medir forças com as demais jogadoras portuguesas.

“Vou todos os anos a Portugal, gosto muito de Portugal é o meu país e obviamente o meu jogador favorito é o Cristiano Ronaldo, mas também gosto do Quaresma, do Nani, do André Silva, e do Renato Santos que é um jogador muito jovem que me impressionou durante o Euro”.

Soraia Matos Martins queixa-se que “o futebol feminino ainda é pouco conhecido aqui na Bélgica. Em França e na Alemanha é mais conhecido”. Mas acrescenta que “se pudesse escolher um clube português, seria o Benfica. Sou uma adepta do Benfica desde a minha infância”.

“Acompanho o Campeonato português todos os dias. Se tivesse a oportunidade de integrar uma equipa portuguesa, aceitava sem dúvida. Já cometi um erro no passado recusando um convite, porque era muito pequena, e deixar os meus pais, a minha vida aqui era complicado, hoje já seria diferente e ir para o estrangeiro seria enriquecedor” diz ao LusoJornal.

Soraia Matos Martins tirou um curso de gestão e contabilidade, “mas como sempre pratiquei desporto, consegui um lugar de animadora desportiva e é o que eu gosto de fazer. Trabalho com as escolas, e por exemplo durante as férias da Páscoa vou dar estágios de futebol masculino e depois estágios de futebol feminino”.

Mas para além da sua profissão, Soraia Matos Martins é Treinadora de uma equipa infatil, U6, no Anderlecht Milan, que joga aos sábados de manhã. “Gosto de estar com os miúdos. Pouco importa se perdem, não é importante para eles, e para mim também não. O importante é mesmo que eles gostem de jogar futebol e que se divirtam. Essa é a minha missão”.

Com todas estas atividades, a agenda de Soraia Matos Martins está bem carregada. “Não saio às sextas-feiras à noite, porque preciso de estar em forma para ganhar no sábado à tarde que é quando temos jogos. Quero subir e atingir os meus objetivos, por isso levo muito a sério esta minha atividade”.

O salário que recebe do clube não lhe permite de viver unicamente do futebol. “Estamos muito longe dos nossos colegas masculinos que jogam na primeira divisão” mas a jogadora diz que “o prazer de jogar compensa tudo o resto”.

Durante os poucos tempos livres que tem, “aproveito para descansar, porque por vezes o corpo pede mesmo descanso”.

Soraia Matos Martins conta com o apoio da família. “Sempre contei com o apoio da minha família – a minha mãe um pouco menos porque receia que eu fique lesionada [sorri, ndr] – mas todos aceitam a minha situação. Trabalho todos os dias em dois clubes. Costumo treinar os pequenos às quartas e às sextas-feiras. Os jogos dos miúdis são ao sábado de manhã e os meus aos sábados à tarde”.

Marc Simons, o Treinador adjunto do FC Fémina White Star Woluwé diz ao LusoJornal que Soraia Matos Martins “é uma jogadora formidável, com um verdadeiro espírito de equipa e no que respeita ao futebol, é uma jogadora muito técnica, que aceita bem o que o Treinador lhe pede para fazer, para o bem da equipa” diz ao LusoJornal. “Faz tudo para que a equipa ganhe. É adorável”.

Interrogado sobre as potencialidades de poder um dia vir a jogar na Seleção portuguesa, Marc Simons garante que “tem um bom nível e com a idade que tem, pode ainda progredir e podia perfeitamente jogar numa Seleção nacional”.

Por enquanto nem no clube pode jogar, até curar completamente da lesão que sofreu. Mas acompanha sempre as colegas e vê o jogo fora das quatro linhas.

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