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Portugal foi convidado de honra do Mercado Matinal de Bruxelas

LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira

Portugal foi o país convidado de honra na «Nuit des Portes Ouvertes», no Mercado Matinal de Bruxelas – MaBru, nas noites de 15 e 16 de setembro. O evento realiza-se de dois em dois anos e o último país convidado foi a França, em 2015.

A AICEP, por intermédio da sua representação em Bruxelas, em parceria com a PortugalFoods e a ALIF-Associação da Indústria Alimentar pelo Frio, organizaram a participação portuguesa, numa iniciativa que contou com o apoio da Embaixada de Portugal no Reino da Bélgica.

«Temos aqui 32 empresas que vendem os mais diversos produtos alimentares portugueses no mercado abastecedor de Bruxelas que tem um peso importante neste país e que têm milhares de visitantes» disse ao LusoJornal o Embaixador de Portugal Alves Machado, que inaugurou o evento.

Durante a noite passaram pela tenda portuguesa cerca de 4.000 pessoas. «É uma ocasião excelente para promovermos o que temos de bom».

O Marché Matinal é «o ventre» de Bruxelas, o local onde todos se vêm abastecer regularmente em produtos frescos. É o maior mercado da Bélgica, com 14 hectares, 23.000 pessoas por mês e mais de 150 comerciantes presentes. «De dois em dois anos, organizamos uma Jornada Porta Abertas e optámos sempre por escolher um país diferente, caloroso, com novos produtos. E com o clima que temos aqui, gostamos de trazer produtos mais coloridos, nomedamente do Mediterrâneo» disse ao LusoJornal Michel Barnstijn, Presidente do MaBru.

«Este é o mercado abastecedor mais importante da Bélgica, não apenas de Bruxelas, e é importante para nós porque, sejam legumes, carnes, peixes,… estão aqui e tudo o que vem de fora chega aqui» confirmou Ivo Roque, o Presidente da Federação HoReCa de Bruxelas, também presente no evento. «Como não há quase nenhum empresário português neste mercado, esta é uma excelente oportunidade para nós divulgarmos os nossos produtos. Está aqui muita gente e há aqui muito potencial».

A exposição contou com produtos «de superior qualidade» de empresas nacionais, incluindo, entre outros produtos, carne e peixe frescos, fruta fresca e desidratada, mercearia, azeite, compotas e mel, charcutaria, queijo, vinhos e produtos vegan/bio, do Continente e das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.

«Eu costumo dizer que temos o melhor país do mundo e agora começa a ser muito conhecido e vai para lá muita gente viver. Isto é o trabalho dos Portugueses do mundo inteiro que estão aqui para promover Portugal» afirmou Ivo Roque.

 

Uma montra de produtos portugueses

A coordenação da presença portuguesa no MaBru esteve a cargo de Maria Manuel Branco, a Diretora da AICEP em Bruxelas, que considerou que o facto de Portugal ter sido convidado para ser o convidado de honra «é muito positivo para Portugal».

«Os grossistas, retalhistas, o setor HoReCa, vêm todos fazer as suas compras aqui. O que julgo diferenciador nesta oportunidade, é virmos a casa deles, que de outra forma seria mais difícil atingir» diz ao LusoJornal Maria Manuel Branco. «Este tipo de eventos dão muito trabalho, requerem muito investimento, e obviamente que esperemos que haja um grande retorno e que hajam mais empresas portuguesas a exportarem para a Bélgica»

Isabel Oliveira, a Coordenadora executiva da marca PortugalFoods, tem dados positivos: «De janeiro a junho, tivemos um crescimento de 17% a nível internacional e na Bélgica o crescimento foi de 9,5%, o que é muito bom, é sinal que o agro-alimentar está a crescer, mas é preciso dar continuidade a esse trabalho».

«Mesmo em mercados que já são maduros, é preciso apresentar Portugal com produtos de excelência e produtos inovadores e conseguirmos competir neste tipo de mercados» diz Isabel Oliveira, entrevistada pelo LusoJornal. «Trouxemos charcutaria, carne de aves, queijos, especiarias, chás, arroz, azeite, compotas, mel, trouxemos um bocadinho de tudo e que demonstra que Portugal é um país pequenino mas consegue produzir de tudo».

Mas Maria Manuel Branco insistiu também na presença de peixe fresco. Daí a presença da ALIF-Associação da Indústria Alimentar pelo Frio. «Portugal é conhecido por ter peixe bom, mas aqui toda a gente me diz que não se vê peixe português com facilidade, nas peixarias e nos supermercados. Esta é uma oportunidade para se alterar essa tendência» diz a Diretora da AICEP em Bruxelas.

Angela Pécurto, a Coordenadora da ALIFconfirma que o setor do peixe é muito importante para os Portugueses. «O peixe português tem ganho grande destaque a nível mundial, somos os terceiros a nível mundial, em termos de consumo. As exportações estão a aumentar e achamos que o mercado belga deve ser uma oportunidade para as nossas empresas».

Angela Pécurto explicou ao LusoJornal que «nos nossos mares há peixes que não existem noutros sítios», por isso, apresentaram em Bruxelas o peixe da costa da Nazaré, mas também o peixe dos Açores «que é muito diferente do restante».

«Sentimos que há recetividade pela parte dos Belgas. A curiosidade é grande, as pessoas perguntam e interessam-se, tudo isso já é muito positivo» confirma a Coordenadora da ALIF.

Mas enquanto os expositores do setor agro alimentar vinham de Portugal, os vinhos eram apresentados por empresas instaladas na Bélgica. «Ao falar com a VINIPortugal, concluímos que já temos aqui representantes competentes e profissionais que importam vinhos de todo o país e que têm mais capacidade para dar resposta».

 

A balança comercial entre a Bélgica e Portugal

A Bélgica tem oscilado entre o 8° e o 9° cliente de Portugal e o número de exportações de bens e de serviços para a Bélgica têm ultrapassado os 2 mil milhões de euros por ano, segundo o Embaixador Alves Machado. «É um mercado importante para nós e que pode crescer. Esperamos que cresça depois desta mostra de hoje», disse ao LusoJornal.

«Com Portugal como convidado de honra, é a prova que o país tem feito uma trajetória económica e de recuperação reconhecida por todos e que temos valores, bens e produtos que nos permitem estar muito otimistas para o futuro» diz o Embaixador de Portugal.

«Em 2016 temos cerca de 3.200 empresas portuguesas que exportaram para a Bélgica, enquanto um ano antes, eram mil empresas a menos. Portanto, num ano aumentaram mais de 1.000 empresas, o que demonstra o grande interesse por Portugal» detalhou Maria Manuel Branco da AICEP. «E o crescimento na fileira agro-alimentar também cresceu 6,3%, o que é muito positivo».

Mas há outras fileiras que têm procurado negócio na Bélgica, como por exemplo os setores aeronáutico e metalomecânico.

 

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