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Pedrógão ardeu e morreram 64 pessoas. Como responsáveis pela catástrofe, foram apontadas condições atmosféricas adversas, uma trovoada seca ou uma faísca, a possibilidade de fogo posto e, esgotadas todas as possibilidades, a culpa acabou por ser atribuída aos eucaliptos. Ardem muito depressa. Possivelmente as próprias vítimas tiveram culpa, porque estavam lá. Se estivessem noutro lugar teriam, certamente, sobrevivido.

A inegável responsabilidade que cabia às forças de prevenção e combate aos incêndios, que falharam totalmente nas suas competências, em parte por terem sido reduzidas à expressão mínima pelos cortes do anterior Governo, circunstância que o atual conhecia mas nada fez para melhorar, foi diplomaticamente minimizada. Pronto, a culpa foi do eucalipto.

Agora arde Alijó. Haverá por lá eucaliptos? Ainda ninguém falou disso, mas o que já se sabe é que as medidas de combate ao fogo voltaram a falhar, enquanto os Governantes responsáveis, em uníssono, se desdiziam e contradiziam.

O país arde, e agora? Deixa arder…

É impossível, vendo estes casos, não fazer comparação com o déspota Nero, Imperador romano, que mandou incendiar a cidade de Roma para depois se deleitar vendo as chamas da varanda mais alta do palácio, enquanto compunha, tocando a sua lira, uma ode ao incêndio que devastava a cidade.

Nero era louco mas esperto, evitou logo responsabilidades culpando os cristãos, que foram aprisionados ,deitados aos leões, crucificados, etc. Os cristãos, coitados, eram tão culpados como os eucaliptos, mas as coisas são como são.

Força, Nero !Deixa arder!

 

Outro campo no país que está a arder é o da Educação

Os moços em Portugal precisam apenas de ter presença física na escola para passar de ano, esforço mental é quase desnecessário, pois basta ter nota a 3 ou 4 disciplinas para conseguir a passagem. Podem ter zero ou pouco mais às cinco disciplinas restantes que isso não é problema.

Isto acontece porque o Sr. Ministro da Educação deseja evitar os “chumbos”, para, diz ele, dignificar perante os países estrangeiros o sistema escolar português, apresentando o mesmo como um exemplo de sucesso.

Esperemos que os tais países não se apercebam do sistema do passa-tudo-ou-quase, que dignifica realmente a ignorância, a indiferença e a incompetência de quem o determinou.

Mas então como é? Vão à escola e não precisam de aprender quase nada?

Olha, deixa arder!

Continuando na já muito chamuscada Educação, recentemente quase três mil professores em Portugal ficaram vinculados a escolas, isto é, obtiveram um posto seguro de trabalho.

Não tiveram essa sorte os professores de Português no estrangeiro, a cargo do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, pois ficaram mesmo a arder, visto lhes ter sido vedada a participação no processo de vinculação. O Ministério da Educação recusa esses docentes, alegando já não estarem sob a sua tutela, pois agora pertencem ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que não intervém nem quer saber da questão, nem se importa que os professores a seu cargo sejam discriminados e prejudicados.

Mas o que é interessante é que o Ministro da Educação, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas andam juntinhos por essa Europa fora, assinando, também juntos, Acordos com os Ministérios da Educação de outros países, que pressupõem a utilização dos serviços dos professores que, conjuntamente, discriminam.

Então como é? Os professores trabalham mas ninguém lhes reconhece direitos, e estão abaixo dos seus colegas em Portugal? Porquê?

Ora porquê? Porque é assim mesmo! Deixa arder!

 

Ensino do Português no Estrangeiro

Passando agora para o já fortemente esturricado campo do Ensino do Português no Estrangeiro, verifica-se que, a bem da dignificação da nossa língua, segundo o Instituto Camões, os filhos dos trabalhadores portugueses nas Comunidades só podem aprender Português como língua estrangeira e ainda por cima têm de pagar a já tristemente famosa Propina.

Porém os meninos estrangeiros, principalmente os Franceses e Espanhóis, aprendem Português de graça, com professores pagos por Portugal, porque o citado Instituto tem preferência por tudo o que seja estrangeiro, desde a língua aos alunos.

Os emigrantes? Os lusodescendentes? São um público desinteressante, incapaz dos altos voos linguísticos e culturais que o citado instituto almeja.

Por isso, deixa arder.

Como é possível? Para os estrangeiros é de graça mas os Portugueses pagam? Como é que o Governo pode permitir uma coisa dessas?

Bom, deve ser pela mesma razão pela qual permite que o Instituto Camões desrespeite totalmente as leis de proteção à maternidade, à família e o direito à proteção na doença, das quais os professores em Portugal usufrem, enquanto os professores no estrangeiro são excluídos.

Mas a legislação não é igual para todos? Porque é que permitem essa ilegalidade?

Porque… vá, deixa arder!

Passando para outro tipo de “incêndios”, encontramos os lesados do BES, que ficaram mesmo a arder em toda a aceção da palavra. Lesados são e serão, porque lhes falta apoio e aqueles que os prejudicaram (será que é porque o banco se chamava Espírito Santo?) devem acreditar na reencarnação ou na vida depois da morte, pois continuam a apresentar, como solução, planos de uma mínima recuperação dos capitais perdidos a vencerem daqui a 10, 15 ou mais anos.

Visto que a maioria dos lesados é composta por indivíduos reformados ou perto da reforma, é fácil adivinhar o desfecho.

Mais um grupo a arder! E, fora os diretamente interessados, ninguém quer saber…

É verão. Está calor. Vamos entrar de férias. Mas no nosso país está tudo a arder. As florestas. As habitações. A honestidade. A decência. O espírito crítico. Os valores humanos. Os direitos básicos.

O respeito pelos Portugueses, dentro e fora do país.

Nero cantava enquanto Roma ardia. E em Portugal assobiam para o lado enquanto o país arde.

Deixa arder…

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