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A priori, há uma constatação na sociologia que tem que se ter presente, que é a verificação de que as sociedades não são estáticas. Na verdade, a mudança que ocorre em permanência afeta as estruturas da sociedade e a consistência das nossas visões do mundo e da vida.

Em certas alturas parece ótimo que nada mude para determinadas camadas sociais, enquanto outras estão ansiosas por uma mudança que lhes acarrete vantagens que percebem como possíveis de alcançar, desde que se removam certos obstáculos de ordem social ou política.

Na realidade, as sociedades mudam e é verdade, tal como afirmou o filósofo grego Heráclito “nunca nos podemos banhar na mesma água do rio”.

A sociedade de hoje já não é igual à sociedade de ontem. A mudança social é um facto contínuo, mais ou menos profundo, rápido, abrupto, impercetível, mas real.

As sociedades mudam, mas em que direção? Os cientistas sociais não podem responder a isto. Podem, sim, tentar individualizar fatores de mudança ou grandes forças que se encontram envolvidas na pressão para a conservação daquilo que existe e outras forças que se encontram apostadas em mudar para o desconhecido.

O que se constata, é que as sociedades mudam. Mas mudam, porque são introduzidos novos fatores ou porque os velhos vetores foram transformados.

Existem mudanças sociais enormes por pressão externa e há mudanças que derivam de uma dinâmica predominantemente endógena. Com frequência, o que se encontra na origem da transformação é a ação dirigista das elites sociais, por um lado e o impacto político e social dos movimentos sociais por outro. Porém, não significa que outros agentes não possam ser reconhecidos como por exemplo o chefe (militar, do grupo), o guia (espiritual), o ator individual (carismático),ou o herói, que podem conseguir mudanças substanciais.

Na realidade, as elites sociais pelo seu poder e influência tanto podem impedir a mudança como tentar desencadeá-la. Nem sempre são uma força positiva. Vem-nos à ideia o velho ditado, “os que podem não querem e os que querem não podem”. Todavia, é às elites que assiste o controlo da sociedade nas altas instâncias, as decisões em última mão, o poder de fazer ou deixar de fazer.

O conceito de elite, foi formulado pelo economista e sociólogo italiano Vilfredo Pareto (1848-1923) que reconheceu a existência nas sociedades, de grupos qualificados em alto grau nas diversas áreas e que por isso mesmo constituíam o ápice dessa massa verticalmente disposta.

Mais em pormenor, poder-se-á dizer que elites, compreendem as pessoas e os grupos que, graças ao poder que detêm ou à influência que exercem, contribuem para a ação histórica duma coletividade, seja pelas decisões tomadas, seja pelas ideias, sentimentos ou emoções que exprimem ou simbolizam.

Pareto pensou que a elite mais importante em termos de mudança social era a elite política (tendo-a mesmo dividido em elite governante e elite não governante), ou seja, os homens que detinham o poder político e os que lutavam de algum modo para o conquistar ou manter.

Em termos modernos, poderíamos dizer que as elites políticas, de facto, disfrutam de um poder enorme: decidem as políticas públicas e isso significa afetar decisivamente a mudança da sociedade em sentido geral e a vida de cada cidadão em particular, discriminando positiva ou negativamente.

Quando a elite política se torna fechada, velha, caduca, pouco operativa, acumula fora de si, nas massas, indivíduos descontentes que têm vontade de ascender ao poder político e que se tornam a contra-elite.

Como consegue a classe política dirigente (governante) manter-se no poder? É através de uma fórmula política que a população votante aceita, porque acredita nos núcleos essenciais do discurso político do grupo a que pertence ou com quem está em sintonia. Também aqui, não interessa que a fórmula seja verdadeira, interessa que funcione, ou seja, que tenha credibilidade junto do povo.

Os eleitores são chamados ao sufrágio e escolhem uma elite política, todavia nada têm a dizer sobre quem é quem, ou deve ser a elite do poder.

O real, é o poder acumulado da classe política e a capacidade de exercitá-lo na sociedade. O poder político está à mercê do sufrágio individual. A massa votante pode, porém, ser arrebanhada e fidelizada, entontecida, comprada, estimulada e desestimulada e/ou manipulada.

Daí, que seja importante para obstar a abusos desmesurados a existência de instituições fortes, um meio social esclarecido e interveniente, enfim, uma cidadania vivida que possa dar eco a uma força capaz de equilibrar as decisões da classe política governante.

Constata-se, porém, que a elite se modifica, abrindo-se a outros elementos, transformando-se assim progressivamente ao longo do tempo, ajustando-se às circunstâncias e aos desafios externos, assim como ao aparecimento de novas forças sociais que tentam ter representação política.

As elites políticas não são os únicos agentes de mudança. Existem outras elites que atuam com eficácia e que têm um importante papel na vida das sociedades tais como: as elites tradicionais, carismáticas, simbólicas, ideológicas, tecnocráticas, económicas, culturais, etc.

Não se coloca já em dúvida a capacidade da elite para tomar decisões políticas, económicas, militares e religiosas que afetam toda a sociedade. O que se discute é, quem é a elite e a sua formação e composição.

Finalmente, a elite fornece modelos de comportamento, uma certa exemplaridade, nomeadamente as elites simbólicas, que exercem uma atração sobre diversas camadas sociais. Os hábitos e estilos de vida podem ser imitados.

Porém, há uma realidade que é evidente. As elites são um poderoso fator de mudança. Poder-se-ia dizer que devido à proliferação das elites, a sociedade moderna contém em si fermentos de ação histórica e de mudança social.

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